António Henriques
António Henriques
E chegamos ao fim deste ano tão especial.
Até agora,
nenhum dos que vivi se aparenta com este. É verdade que todos os anos nos
trazem sombras e luzes, saúde e doença, alegrias e tristezas, sucessos e
fracassos.
Mas nenhum ano nos tinha afastado assim de todos os amigos, de todos os familiares, de todos os vizinhos, como se cada um de nós fosse inimigo ou fosse traído por qualquer um deles.
Duros foram
os dias em que me obriguei a ficar em casa para não me infetar do tal vírus.
Dolorosos foram os momentos em que disse "não" a todos os encontros,
mesmo quando havia gente a suspirar por um olhar e uma palavra amiga. Só o
telefone ou o vídeo me restava para um pouco de calor humano.
Mas nem tudo
podemos dizer que foi negativo!
- No meio da
dor e do sofrimento de muitos, estou saudável!
- Nas crises
de medo, continuo intimamente confiante!
- No meio do
desemprego e da fome, não me faltou o pão de cada dia!
- Num ano de
tantos desastres, mantenho-me em segurança.
- Num ano de
tantas mortes, estou vivo!
GRAÇAS A
DEUS, continuo a viver com alegria e a apreciar as belezas deste universo tão
rico e a sentir-me unido a esta humanidade tão ansiosa por paz, pão, amor e
união.
A todos os
que me leem desejo um ANO NOVO DE 2021 cheio de saúde, bem estar pessoal e
comunitário. E que Portugal trilhe caminhos luminosos a bem de todos.
As cores
fortes de Manuel Cargaleiro nestes azulejos da capela da Misericórdia, na
paróquia de S. Tomás de Aquino, em Lisboa, nos encham a vida de coragem e
força, para nos sentirmos cada vez mais livres.
Pela cruz à
LUZ!
António Henriques
Novo livro de Elena Ferrante
Desta vez, após ter lido elogios à riqueza literária de Elena Ferrante, decidi-me ir atrás das modas e adquirir “A vida mentirosa dos adultos”, uma novidade desta autora, que há vinte anos tem entusiasmado leitores e críticos com a sua escrita desenvolta a perscrutar o íntimo das suas personagens, preferentemente mulheres.
Sinceramente, este romance ocupou-me
com agrado durante este mês de pandemia, em que a casa passou a ser o único lugar
para todos os devaneios. As suas 300 páginas foram lidas quase à pressa, tal
não era o gosto e a vontade de ver como se iriam desenvolver os dias desta
adolescente napolitana, Giovanna, que corporiza o centro da ação como narradora
participante a viver uma história cheia de ligações frágeis a outras
personagens, também elas carregadas de vivências pessoais que enriquecem
sobremaneira estas páginas.
Elena Ferrante é um pseudónimo de
mulher ou homem italiano, de Nápoles, que ninguém conhece verdadeiramente, mas
que desde 1991 tem produzido obras de ficção cheias de histórias que parecem
reais. Em entrevistas escritas, a autora defende o seu anonimato como um meio
para usufruir de inteira liberdade criativa e não fazer autocensura, escrevendo
sem constrangimento pessoal as vivências mais íntimas ou mais cruas das
personagens.
Em resumo,
para não retirar novidade aos futuros leitores, a história acompanha a passagem
de Giovanna - a protagonista - da adolescência para a vida adulta. Ao escutar os
pais sem o conhecimento destes, ouve dizer que ela está a ficar feia como uma
tia não falada em casa. Isto perturba-a a ponto de começar a olhar mais para o
espelho e a querer saber da tal tia Vitória.
As amigas e o ambiente tranquilo da
infância deixam de contar e surge a descoberta de um mundo novo com outras
figuras do mundo suburbano, pobre e industrial de Nápoles, onde mora a tal tia
Vitória, renegada pelo pai e que fora apagada das fotos de família (classe média-alta
de professores).
Abre-se à protagonista um mundo diferente,
de relações promíscuas, pouco recomendáveis, mas acompanhadas de sentimentos
humanos profundos. E ouve outras histórias que a levam a olhar para os pais com
desapontamento, pois eles não eram assim tão puros e perfeitos.
Surgem assim experiências confusas,
onde se debatem os comportamentos numa tensão entre o bom ou o mau, permitido
ou inconveniente na sociedade, igual aos outros ou diferente. Descobre-se que a
mentira mascara muitas vidas, o que leva a protagonista a buscar a sua verdade,
usando também a mentira, tentando experimentar novas relações para construir a
sua personalidade. Mas, no meio destas descobertas, há um desmoronar de
convicções que levam ao desapontamento.
Que comentários posso fazer?
- Já li e aceito que nesta obra
domina o mundo feminino, em que a mulher se mostra forte, corta a direito,
rompe relações e domina os ambientes. Mas também se nota entre elas a
concorrência, a luta, o domínio, o ciúme, ou a amizade e a colaboração
desinteressada. E até sentimos a história envolvida em elementos físicos
mágicos, como sejam certos espaços de encontro, as casas, as roupas, e ainda
uma pulseira, capaz de exalar beleza e arrastar maldição para a sua utente.
- As personagens surgem tão reais que
nos cativam a atenção, ora pela nobreza ora pela vileza de caráter, ora porque
são solidárias ou porque se enchem de ódio, egoísmo, ciúmes; ao fim e ao cabo,
todos estão manchados!
- O fim da adolescência é mesmo
tormentoso. O carinho dos pais já não enche o coração da filha, pois ela
descobre falsidades, vida tortuosa nos seus adultos e começa a isolar-se, a
autonomizar-se, assumindo posturas imprevisíveis, desde o desleixo pessoal ao
desprezo pela escola ou mesmo vida sem regras, em busca de um ideal de mulher
muito pessoal.
- Atenção: cada página é uma mistura
de narração, descrição e diálogo interior em que Giovanna se discute a si mesma
de uma forma perfeita. Admiramos o texto, mas temos de ver a criatividade da
autora por detrás de cada palavra, que uma adolescente não consegue falar e escrever
assim…
- Esta “história” está marcada de
atualidade. Casais que se descasam e continuam amigos uns dos outros, mulheres
que acham normal que o amor que sentem por um homem casado é razão para o
tirarem à vizinha, mas que, após a morte do homem, são capazes de se juntarem
as duas para tratar dos filhos de uma…
- Finalmente, a protagonista vai-se
desprendendo de pessoas, da família, dos amigos e de espaços e, no final, até
da cidade se desprende. À procura de uma libertação? É o que todos queremos!
Últimas palavras do livro: «… prometemos
uma à outra tornarmo-nos adultas como nunca acontecera com nenhuma».
António Henriques
Estamos em confinamento, não é?
Pois, no meio de todo o sofrimento que este estado de coisas nos provoca, eu sinto-me um privilegiado. Tenho uma casa grande e um quintal, onde me posso distrair com alguma liberdade. Durante uns meses, caminhava em casa e no quintal para fazer os meus 2km. Depois, escolhemos uma zona do Seixal, muito reservada, onde nos distraíamos com o ambiente, as águas, as belezas circundantes. Mas começámos a ver que mais gente começava a usar aquela plataforma para mudar de ambiente.
Com o crescer de regras para o confinamento, sobretudo o distanciamento social, eu resolvi aproveitar as duas ruas do bairro onde vivemos para fazer as minhas caminhadas. O silêncio raramente é perturbado; apenas os melros se ouvem. Movimento de carros, vejo um ou dois durante aquela meia hora. Pessoas, também muito raramente me cruzo com alguém...
Assim, comecei a olhar para as casas, as ruas, os gatos e a natureza circundante, flores e árvores. Às vezes, até dá para rezar o terço... Hoje, peguei no telemóvel e fui captando fotos das flores mais significativas. Nada de especial, é verdade, mas o suficiente para me distrair.
Se quiserem, vejam. É o melhor que posso trazer para sacudir o vazio do nosso blogue.
António Henriques
Apresento-vos hoje mais um vídeo da nossa escapada de poucos dias pela zona do Oeste, em que, por imperativos da pandemia, privilegiámos a visita dos ambientes menos povoados.
É o caso do DinoParque, perto da Lourinhã, onde num dia de semana não havia mais de 20 pessoas durante as horas em que por lá nos fomos distraindo.
Este é um empreendimento de vulto, que nos faz olhar com espanto para aqueles 180 modelos em tamanho real, onde a variedade e grandiosidade das figuras não são nada iguais ao que no Museu da Lourinhã já tínhamos visto. Soubemos que só na Alemanha é que há outro igual ou maior.
Passeando por aquele pinhal sem fim, pudemos visitar períodos da terra muito antigos, com nomes esquisitos e sobretudo com uma povoação de seres que até metem medo! É a variedade, é o volume de alguns bichos, são as formas mais esquisitas, são ainda as cores abundantes daqueles dinossauros, muitos motivos que nos distraem e até nos fazem esquecer a horrível pandemia que nos tolhe os movimentos.
As crianças devem passar ali belos momentos. E nós também podemos ser crianças!
Também podemos visitar lá uma zona de trabalho sobre fósseis, almoçar sem riscos num espaço coberto e passar naturalmente pela zona dos "recuerdos".
Ofereço-vos umas cinco dezenas de fotos para uma visita virtual. Acho que vale a pena!
António Henriques
A primeira realidade que constato é a pressão que sobre nós exerce a pandemia vírica. Andamos todos a fugir uns dos outros, com medo de pegar o bicho (que não é bicho!) ou ser apanhado por ele. Então, até o foco das nossas caminhadas ou viagens tem de desviar-se para outro lado. A natureza aí está para encher os nossos olhos, quer na forma de paisagem natural ou de terrenos cultivados pelo homem para deles extrair o sustento.
Aconteceu este ano nos poucos dias em que frequentámos a praia da Consolação em Peniche. Deixei-me tocar pelas imagens do campo em redor. E fui registando cambiantes em fotos que hoje trago para vosso leitura.
Fujo, para já, a questões importantes como é o caso de se tratar de agricultura intensiva, contestada por muitos e de que eu não tenho conhecimento. Também não estou preparado para falar do tipo de adubos usados ou da quantidade de água que se gasta.
O que me levou a fotografar foi simplesmente o gosto de olhar para aqueles campos em situações diversas de tratamento. Já os vi verdejantes com outras culturas, curgetes nomeadamente, mas este ano eram as couves que mais ocupavam os espaços. E dei por mim a pensar nos muitos trabalhos que estas explorações exigem. Lavrar, desterroar, alisar a terra, abrir leiras com medidas exatas para passar a máquina que automaticamente deixa cair e enterra os pequenos rebentos de couve dois a dois, distribuir pelo campo um sistema de rega que sacie a sede daquelas couvinhas, ora por aspersão ora por gotejamento, é um trabalho contínuo e muito esforçado.
As fotos que apresento acompanham o estado dos campos na sequência dos trabalhos agrícolas até à maturação final, com estes legumes prontos para chegar à nossa casa. São as máquinas e é o trabalho braçal, continuado por uma organização social adequada, pois estes produtos seguem para uma empresa (muito conhecida é no local a "Horta Pronta") que os prepara para embalamento e distribuição pelo diversos mercados. Não tirei foto, mas passámos por um local onde estavam expostas muitas centenas de abóboras que pacientemente foram retiradas da terra para serem vendidas. E também comprámos algumas por pouco dinheiro!
Vejam bem o que eu ando a ver! Vejam também vós estas fotos em ecrã inteiro.
António Henriques

Temos andado por aqui a olhar para todos os verdes, alguns já a desmaiar nos locais onde dominam as vinhas. E até já experimentámos ir ao rabusco, colhendo saborosas maçãs vermelhas que ficaram na árvore por não terem o calibre desejado.
O Covid por aqui ainda não atingiu números alarmantes, o que muito nos agrada. Mas notamos que as pessoas estão a respeitar as regras profiláticas, o que mais nos deixa descansados.
Nós também fugimos de todos os ajuntamentos e temos escolhido ocupar as horas deambulando por lugares mais isolados. Ontem subimos ao alto da serra de Montejunto e na sexta-feira visitámos Óbidos.
Nesta "vila das rainhas", estivemos uma hora com poucos visitantes, em que pudemos beber a ginjinha em copo de chocolate e gastar mais algum dinheiro para ajudar o comércio, que continua a definhar. Simpatia não falta, como também se notam as muitas vendedeiras em conversa umas com as outras à porta, por falta de trabalho. As lojas, por dentro e por fora, estão muito bem decoradas e bem organizadas, talvez resultado do tempo que a pandemia lhes deu.
De Óbidos não digo mais, para além das fotos que aqui deixo. Todo o mundo conhece.





A história desta santuário reporta-se ao achado de uma pedra em forma de cruz com pequenos braços, que tem ao meio a imagem de um menino gravada na pedra. A lenda ligou logo esta cruz à proteção divina, e os crentes recorriam ao Senhor da Pedra pedindo ajuda para as colheitas, as doenças e até aos resgates em alto mar (!!!).
A construção data de meados do séc. XVIII (1747) e teve como grandes mecenas o 1.º Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José de Almeida, e o rei D. João V, ele próprio "mui devoto do Senhor da Pedra". Saliente-se ainda a riqueza da talha dourada e policromada, as imagens em madeira e as muitas telas no interior da igreja. E, ali ao lado, podemos ainda admirar um chafariz "rocaille" da mesma época.
Vale a pena uma visita. E deixem um donativo para a manutenção do templo...
António Henriques




Com o desejo de trazer novidades para esta página, lembrei-me de criar hoje um vídeo de 2,30m a mostrar uns pormenores da minha terra há 35 anos.
Naturalmente, isto é saboreado por poucos, mas peço desculpa pelo atrevimento.
Estamos na ponta da terra, virados para o Barreiro, junto do cais fluvial que leva e traz muita gente de e para Lisboa. Aqui perto, também faço caminhadas para tratar do meu físico. Na foto, a minha pista de corrida, ai não, caminhada!
E tudo se pode visitar, para agrado de muitos, pois o Seixal, nos últimos tempos, tem sido renovado a nível de infra-estruturas, a que se junta a novidade das muitas construções na Quinta da Trindade, onde até o Benfica veio assentar arraiais.
António Henriques
Continuando a nossa visita a Belém, hoje falo do Convento de N.ª Sr.ª do Bom Sucesso que em boa hora visitámos. Situa-se na continuação para poente da rua que passa pelo mosteiro dos Jerónimos. Não é fácil esta visita, a não ser na hora da reza do terço. Mas para nós a Diretora do Colégio abriu-nos as portas e acompanhou-nos (sim, agora a Igreja está ligada a um colégio feminino no espaço que antes era convento das freiras dominicanas irlandesas, que conseguiram ser acolhidas em Portugal no tempo das guerras religiosas entre católicos e protestantes).