sábado, 4 de abril de 2020

E venha a Páscoa!

Olhando o momento presente

E já passaram duas semanas neste degredo… E não sabemos quantas semanas mais teremos de conviver com as paredes da nossa casa as vinte e quatro horas do dia! É esta a dura realidade que afetou profundamente as nossas vidas.
Pela primeira vez, sentimos que a Terra é uma aldeia global, pois todos nos sentimos ameaçados pelos mesmos inimigos, todos estamos a repetir os mesmos gestos, todos usamos as mesmas armas com vista a uma vitória final, que ainda não se vislumbra.
Antes, ainda uns respiravam paz quando outros se dilaceravam em guerras. Antes, ainda havia os que sentiam a sua vida abalada por fortes chuvadas, ciclones e tempestades sem fim, enquanto outros gemiam ao calor medonho que seca a natureza e os corpos, transformando tudo em cinza.
Hoje, do norte ao sul, de leste a oeste, percorrendo todos os continentes e países, a ameaça é a mesma – um vírus invisível a encurralar-nos em casa, a destruir os modos de produção e de convivência, o que faz adivinhar a maior crise mundial que alguma vez aconteceu…
E nós aqui estamos a sonhar com um futuro risonho, sem abandonar a esperança de um mundo novo, mais humano, mais feliz, capaz de satisfazer a todos. Não nos sentimos derrotados e continuamos a acreditar que o homem vencerá, ultrapassando mais esta crise e, porque não?, reorientando as agulhas do viver coletivo com a energia da justiça, da solidariedade, da amizade verdadeira a desfazer os egoísmos.
Estamos na primavera, portadora de novas promessas, energias e frutos. Estamos na Páscoa, que sempre nos convida a acreditar que a dor, o sacrifício e a cruz são o prenúncio de uma vida nova, como a de Jesus o Ressuscitado.
A todos os amigos leitores deixo esta minha reflexão, querendo irmanar-me convosco no combate ao delírio da prisão. Faço o convite para olharmos mais ao que se encontra ao nosso redor – as pessoas, os animais, as plantas e as flores. E oiçam a melodia dos passarinhos.
Agora estamos a experienciar novas vivências. Boa Páscoa!
António Henriques

quinta-feira, 19 de março de 2020

Estamos em casa

Aqui estou eu a esforçar-me para trazer novidade aos amigos.
Nestes dias de isolamento social, quebrado apenas pelos telefonemas dos amigos e familiares, há a tendência para uma certa modorra, desleixo, eu sei lá, até um desconforto psicológico que nos tolhe e nos faz infelizes...
Há que combater estas adversidades... Há que pensar em aspetos positivos. Eu já arrumei papéis que há um ano esperavam mão amiga. Até já vi filmes em casa. Até comecei a ler mais. 
Cada um tem o seu modo de fazer, não estou a impingir nada. Mas a verdade é que muito, mas muito mesmo, depende das decisões de cada um. 
A pequena amostra que vos deixo ajuda a descobrir como fazer. E a minha esposa também vai nesta onda: até já fez um prato especial para apresentar no seu blogue (papas e bolos), sobretudo para as mães que agora têm os filhos pequenos em casa. Em breve, aparecerá mais uma receita.
Também se podem entreter mais com o nosso blogue, usando a função pesquisar.
Passem bem! AH

sexta-feira, 13 de março de 2020

Estamos em 2013














Por outras bandas e com muito gosto





Cidade de Damman, Arábia Saudita - Um dia, telefonei a pedir um táxi para o centro da cidade (down-town) e, quando entabulámos aqueles poucos diálogos de quem sabe mal falar a língua, vieram as surpresas:
- De onde são os senhores (what country are you from?)
- Somos de Portugal, “the Ronaldo’s country”… 
E, para nosso espanto, o motorista diz que não conhece este football player. Era um indiano simpático, paciente com o nosso fraco inglês, que às tantas começa a falar da nossa terra, Portugal, como a terra de Vasco da Gama, que chegou à Índia em pequenos barcos (short ships), levados pela força do vento (moved by wind…), descobrindo um novo caminho entre a Ásia e a Europa (a new way between India and Europe). I learned it in my school’s books (aprendi isto nos livros da escola), frase dita com pompa e algum orgulho, o que ainda mais me aproximou deste indiano. 

Cada um tem os seus conhecimentos, mas este indiano, que conhece Vasco da Gama e não conhece Cristiano Ronaldo, é mesmo uma surpresa, tanto mais que, quando surge a palavra Portugal no estrangeiro, logo vem à fala o nome de Figo ou de Ronaldo, consoante o interlocutor seja mais velho ou mais novo… Irritado com tanta repetição, já uma vez na Turquia, quando vieram à baila estes nomes, eu adiantei: «from Portugal is also António Henriques», a que eles responderam: «I don’t know this» (esse, não conheço!)… 
Peripécias de turista. Mas é enriquecedor olhar estas caras escuras, gorduchas, de olhos vivos, ouvir estes falares estranhos que nos prendem a atenção, mesmo que muitas vezes a comunicação seja superficial… 

António Henriques

A imagem pode conter: 1 pessoa, interiores



No Mall of Darhan, satisfazendo a curiosidade dos olhos... Copiando outros comportamentos!
A imagem pode conter: céu e ar livre



A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e interiores














Do alto da Torre de 100 pisos em Ryadh, vê-se a cidade lá em baixo. Parece vista de avião...














Durante os vários momentos de oração, tudo fecha e as pessoas (homens sobretudo) enchem os espaços...










A imagem pode conter: 7 pessoas, pessoas sentadas, mesa, bebida e interiores







Vejam só: desta vez, à mesa. estavam pessoas de Portugal, Grâ-Bretanha, Nova-Zelândia e Paquistão.



terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Passeando por Aveiro

Depois de vos ter mostrado o Museu de Santa Joana atrevo-me a apresentar um vídeo (6 m) com as impressões gerais sobre a cidade: as casas, os canais, as ruas, os produtos, as outras igrejas...
É uma tentativa de construção difícil para um principiante (juntar imagem, som ao vivo e gravado, música, etc.), mas que, em dias de férias, me deu muito gozo. Desculpem as imperfeições!
AH



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Igreja da Memória


 

Este monumento nacional tem por detrás uma triste memória de violência, atribuída na época aos Távoras, uma família nobre que não se relacionava muito com o Marquês de Pombal, a quem consideravam um nobre de segunda classe.

No início de tudo, houve naquele lugar um atentado contra o rei D. José, que vinha de um serão com a amante, filha dos Távoras e já casada. O rei ficou ferido num braço e logo se atribuiu a culpa a esta família. O Marquês avançou com um processo que culminou com a morte violentíssima de muitas pessoas da família dos Távoras, do Duque de Aveiro, do conde de Atouguia, incluindo crianças e a que se juntou o P. Malagrida, jesuíta, cuja ordem não era bem vista pelo poder. Houve ainda o arresto de todos os bens destes nobres.

A execução da sentença ainda hoje é rememorada por uma coluna erigida num beco junto aos Pastéis de Belém, apelidado de Beco do Chão Salgado, por nesse lugar estar o palácio do Duque de Aveiro, que foi destruído e o chão coberto de sal para nunca ali poder medrar algo.
Por se ter "livrado" da morte, o rei manda erigir esta Igreja dois anos depois, num gesto de agradecimento a Deus.

A Igreja da Memória, também chamada “do Livramento”, é uma arquitetura barroca, de linhas clássicas, mas com formas curvas. Sobressaem os mármores nesta igreja. E o transepto (o lugar onde se cruzam os dois braços da cruz latina) é encimado por um conjunto harmonioso de zimbório, cúpula e lanternim lá no alto (uma foto mostra bem estes elementos).

Também notámos que, em vez de colunas, foram usadas pilastras para sustentar o edifício. Visível igualmente a beleza dos varandins e do coro, com o dourado a brilhar.

É nesta Igreja que se encontra o mausoléu com os restos mortais do Marquês de Pombal desde 1923.

A Igreja é pequena, mas muito frequentada como centro de fé.

O resto mostram as imagens.








quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Museu de Santa Joana – Aveiro

Foi uma bela surpresa este museu.

Instalado no antigo convento das freiras dominicanas de clausura, para além do espólio que constitui o próprio património do convento, reúne uma vasta coleção de retábulos, colunas, imagens e pinturas provenientes de outros locais, o que valoriza sobremaneira os amplos espaços por onde se distribuem tantas obras de arte.
Em poucas palavras, tocou-nos logo à entrada o túmulo de Santa Joana, em mármores de várias cores, incrustados, o que torna a obra, vista em pormenor, de uma beleza fora de série.
Entramos na Igreja e comove-nos ver tanta talha dourada em vários altares, um órgão de tubos de grandes dimensões (que diria o meu amigo Aires?) e ainda as duas portinholas pequeninas por onde se confessavam as freiras.
Passamos pelo claustro, admiramos portais góticos e manuelinos (como as fotos mostram), vemos o refeitório, de mesas corridas onde se sentavam as freiras por ordem de importância social, com a madre abadessa a presidir na mesa ao fundo. Não falta lá um espaço alto, bem iluminado, para a leitura de livros educativos, que se ouviam em silêncio durante a refeição.
Seguindo a ordem das fotos, subimos ao coro, com um cadeiral bem adornado e nas costas pinturas a vermelho e preto com figurinhas de caça e lavoura a lembrar os tempos senhoriais. O teto do coro é também de um colorido maravilhoso.
Seguimos depois para o recheio de obras acrescentadas ao espaço e não sei que mais admirar. São retábulos, imagens de um colorido vivo que nos prendem, são colunas de alguma igreja, negras como breu, mas com madeira trabalhada com perfeição, são imagens, muitas estofadas (pintura a óleo sobre ouro), de que me ficou o arcanjo S. Miguel, a Santa Madalena e uma Sagrada Família de Machado de Castro.
Pinturas, muitas. Destaco a pintura de Santa Joana Princesa, que nos foi dito seria a representação mais fiel da retratada, que ainda viveu no convento, onde morreu.
À saída, atrás da nossa imagem, uma farmácia conventual, com aqueles potes onde se conservavam as ervas e mesinhas medicinais.
As fotos são três minutos de fascínio. Vale a pena gastá-los!
António Henriques                              (ver fotos em ecrã completo)


Permito-me acrescentar uma pequena peça em vídeo com imagens da salinha onde algumas freiras trabalhavam na preparação meticulosa dos paramentos litúrgicos.



terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Jardim Botânico da Ajuda



Veste-se uma pessoa de turista de fim de semana e vai até perto do Palácio da Ajuda, podendo aproveitar mesmo um autocarro. Para nós, foi o autocarro contratado pela Casa do Educador que lá nos levou.
E ali está na subida à esquerda o Jardim Botânico.
Começámos logo por sermos visitados por um pavão e sua trupe de pavoas, que quiseram saber quem nós éramos.
Depois, enterrámo-nos jardim adentro, olhando para tantos canteirinhos com identificação das flores, arbustos e árvores em latim e num português alatinado de que pouco percebemos.
Memórias que ficaram: havia a princípio um passadiço por cima da rua que trazia os membros da família real para o jardim. Bom lugar para leitura, mesmo no verão, com uma árvore estendida, como galinha de asas abertas, para acolher os leitores. Para além das flores, abrimos a boca de espanto para aquela borracheira de tronco bem largo (o prof. Lino parece bem pequeno…) ou para o velhinho dragoeiro (400 anos?!) que já não se aguenta mesmo com tantas varetas a sustentá-lo!
Uns degraus abaixo, apreciámos os jardins de bucho bem delineados, a estátua de D. José talhado como soldado romano e sobretudo parámos junto à fonte com seus lagos e ornamentações naturalistas, a lembrar os três reinos com seus habitantes (do ar, da terra e da água), mas onde os répteis se agigantam.
Visitem, que saem de lá apaziguados com o silêncio, a natureza e a beleza dos espaços. Infelizmente, seria necessário muito mais trabalho para algum abandono desaparecer e as ervas não crescerem.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Vídeo sobre a Sé de Portalegre

Catedral de Portalegre - uma visita

Tenho ouvido falar das obras de restauro a que vai ser sujeita a Catedral de Portalegre. O Sr. Cón. Bonifácio Bernardo até já publicou o Índice e o Prefácio de um livro sobre a história do Seminário, para com a sua venda ajudar a recuperar o altar de S. Pedro, sede da Confraria do Clero.
Neste sentido, achei que podia chamar a atenção das obras na Sé com a criação de um vídeo que ao vivo mostrasse as belezas expostas e a real necessidade de restauração deste monumento nacional.
Desloquei-me há poucos dias à Catedral e, com a prestimosa ajuda do Sr. Cón. Bonifácio, apresento hoje o trabalho.
Oxalá eu possa contaminar os amigos para uma visita e mesmo para uma colaboração nas despesas da Diocese. Porque não? Não é verdade que só levamos daqui o que damos?

E não estranhem estes assuntos, pois são estes trabalhos de investigação e "engenharia" que me alegram os dias. 

António Henriques    

 

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Medronheiros nas Paivas?


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Quem diria? Mesmo ao pé de mim, no jardim das Paivas, por onde me passeio com frequência, vou encontrar os meus conhecidos medronheiros, feitos árvores frondosas.
Habituado a eles na minha Sobreira Formosa, degustando o seu sabor de fruto ou o seu líquido espirituoso, vendo-os crescer sem cuidados e multiplicar-se sem pedir licença, eis que agora passaram a ser árvore urbana, a dar sombra a crianças e adultos e a assistir às mil cabriolas que as crianças e animais por ali executam sobre a bem tratada relva do jardim! E surgem com frutos e flores brancas, que não sei se são da época ou derivações das perturbações climáticas!
Foi uma bárbara surpresa entrar no jardim por um caminho pouco habitual e ver no chão uns tantos medronhos acabadinhos de cair. Mas o que é isto aqui? Eram mesmo medronheiros a sério... Como as outras árvores, plantadas ali há uns 15 ou 20 anos, foram crescendo e agora apresentam-se frondosas e vistosas para quem sabe e gosta de desfrutar do mais belo espaço da minha localidade. É também ali que se encontra o lindo repuxo e a chamada fonte cibernética que enche de viço todo Paivas.jpgambiente. E agora, há já muitos meses, não deixam  de projetar a água em formas graciosas... Acho que foi o Lost - aquele bar-restaurante que ocupou as instalações centrais - que não deixou fenecer a oferta de tanta água, algumas vezes em descanso moribundo... 
É também ali que nos distraímos às vezes com a leitura de um livrinho e com o sabor de um aromático café. Horas de descanso que alegram os nossos dias.
Acrescento que no mesmo jardim crescem e oferecem-se aos visitantes os (ou as?) famosos(as) jacarandás, de que já dei conta há meses, com as suas fotogénicas cores arroxeadas.
Pronto, já disse bem da nossa terra. Passem bem, divirtam-se e podem vir até cá...
Seguem-se as fotos dos medronheiros das Paivas. A Antonieta também lá está!
António Henriques









quarta-feira, 30 de outubro de 2019

O primeiro email


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Fez ontem 50 anos (1969) que foi enviado o primeiro email. Que coisa maravilhosa! Tinha eu já 30 anos, era professor sem grandes ferramentas, para além dum quadro com giz e apagador na sala. Comunicar com os alunos? Só em presença ou enviando um recado por algum vizinho, até porque o telefone também era ainda um objeto raro nas nossas casas.
A minha incursão por este “admirável mundo novo” começou apenas quinze anos depois, nos meados da década de 80, quando a escola Paulo da Gama, na Amora, se abriu à inovação e aderiu ao projeto Minerva, com o qual pude iniciar a minha formação, trabalhando com um grupo de alunos no jornal escolar, já com paginação digital, muito diferente da tesoura e cola com que fizemos os primeiros jornais.
A rede telefónica já era uma aquisição memorável. Mas esta outra rede, com um suporte digital (o primeiro servidor foi a ARPA (Advanced Research Projects Agency), agência financiada pelo governo norte-americano), é que veio modificar por completo as nossas facilidades de comunicação, criando as redes sociais.
Kleinrock.jpg
E o primeiro email foram apenas duas letras – LO – já que a rede caiu a meio e não conseguiu transmitir a palavra completa – LOGING. Citando o inventor, sr. Kleinrock, "Ficou claro que (o email) chegaria a cada casa, mas na época não pude ver, nem eu nem ninguém, a parte poderosa da comunidade [redes sociais] e o seu impacto em cada aspeto da sociedade. Só quando o correio eletrónico inundou a rede em 1972 é que percebi o poder que a Internet teria em permitir a interação entre as pessoas". (in DN)
Com mais de três mil milhões de emails, vejam como o nosso planeta está ligado e dependente da tecnologia…
Foi em 1976 que a rainha da Inglaterra enviou o seu primeiro email, agora já com o @ (arroba – at em inglês), separando o remetente do domínio do servidor (responsável pela emissão). Mas dois anos depois, surgiu o primeiro spam, uma mensagem enviada para muitos destinatários sem a permissão deles. Hoje, 70% dos emails são spam, vejam a praga que por aí vai. São publicidade ou são vírus a infetar os nossos computadores. E mesmo com filtros, somos enredados nesta teia.
E como o mundo não para, hoje a juventude já anda mais ligada a outras ferramentas, ainda mais práticas e desenvolvidas que o email, como o Messenger, o Skype, o Twitter, o Facebook, o Instagram, o WhatsApp e mais, onde a palavra, o som e a imagem surgem na palma da mão.
Termino com as palavras de Kleinrock: a internet tem muitos buracos, mas "olhar para ela como um todo, é uma coisa maravilhosa."
António Henriques