domingo, 5 de março de 2017

A RECORDAR


Ainda a Madeira

Trago para aqui mais uns momentos significativos da nossa estadia no Funchal. Foram os desfiles de Carnaval no sábado e na terça-feira, o primeiro cheio de organização e tudo o mais que direi a seguir e o segundo a condizer com o seu nome próprio - trapalhão.


CORSO DE CARNAVAL

DESLUMBRANTE! Foi esta a palavra que li num jornal da terra, o Diário de Notícias-Madeira. O desfile de Carnaval, no sábado, atraiu turistas e madeirenses. Duas horas cheias de cor, movimento, criatividade e muita beleza. Impressiona ver aquele mar de gente a olhar com regalo para outro mar de artistas. Foram 1341 participantes, e entre eles 30 turistas.
Impressiona ver tanta juventude e tanto sorriso. Nós gostámos... E lemos que este foi o Carnaval mais frequentado, com a maior taxa de ocupação hoteleira (atingiu os 81%).
O video que preparei com imagens do smartfone, quase 6 minutos, quer mostrar um pouquinho da beleza que por aqui passeou. Desculpem os rudimentos técnicos. Mas é para mim estimulante mexer nestas ferramentas e tentar fazer melhor a cada tentativa.



CARNAVAL TRAPALHÃO


O Carnaval trapalhão foi terça-feira. Gente não faltou. Montes e montes de gente. Mas as piadas foram poucas e até uma certa desorganização não ajudou. Não faltou o Trump e suas trumpalhadas e o Coelho preso, mas o de cá e que cumpre pena aos fins de semana. Também o CR7 e a D. Dolores Aveiro, vestida de banana, assim como o "fugidos dos impostos" marcaram presença. E a famosa cantora Maria Leal, vedeta regional, se fartou de cantar, com seu pouco jeito, para as autoridades.

Valeu estarmos acompanhados, respirar o ambiente de festa e andarmos metidos no barulho. Depois, terminou tudo no Ritz, com vela acesa e antúrio a sério. O meu gelado estava bom. O resto nem por isso...
MAIS VISTAS E FESTAS



Para levarmos boas recordações desta ilha, não podia faltar uma passagem pela "Taberna da Poncha" na Serra d´Água, sempre cheia de turistas a degustar o precioso líquido com tremoços e amendoins.
Subimos depois à Encumeada, com espectaculares alcantilados, e alcançámos ainda o Paúl da Serra para visitar o nevoeiro. Um pouco mais ao norte, lá fomos visitar o mar de S. Vicente. Um bom passeio de Quaresma, onde só a poncha ultrapassou os limites do permitido!




Finalmente, para terminar com chave de ouro, no dia 2 de Março, celebrámos o aniversário da mãe, da esposa e amiga, quer em casa quer no restaurante.
Boas memórias...






segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

MUDEI DE AMBIENTE


Por uns dias, andamos a distrair-nos na Pérola do Atlântico.

Passeando pela zona da Ajuda, no Funchal, uma zona bastante nova em termos de urbanização, onde os hotéis e os turistas começam a enxamear o espaço, eis que, na nossa caminhada vespertina, subindo com dificuldade a encosta dos Piornais, nos sentimos a olhar para novos motivos de interesse que fogem ao nosso dia a dia.
Ruas destas, com tanta inclinação, são mesmo típicas desta terra, é a primeira constatação. Depois, é a disposição geográfica das casas e a sua própria moldura, um misto estranho de beleza pelos abundantes verdes circundantes e de colocação inesperada das habitações, coladas à montanha por aquela encosta acima, o que me faz imaginar como podem ser servidas por acessos que não vislumbro...
Lá vejo aqueles apetitosos e volumosos cachos de bananas, ali à mão de semear, e outra vegetação desconhecida que me atira mais para ambientes africanos, como nas fotos podem admirar. São pinheiros, mas não são! Serão dragoeiros? Sim, com certeza, até pela nobreza do seu tronco...
E as casinhas semeadas pelas encostas, a dizer-me como foi doloroso e brilhante a adaptação dos madeirenses às sua condições naturais, tudo nos convida a apreciar estes ambientes diferentes, a saudar-nos agora com o carinho familiar e até dos amigos que aqui viemos encontrar.
Isto é mesmo repousante!


E POR AQUI ANDO EU, NESTA ROMÂNTICA E FLORIDA ILHA
Andar a pé é o melhor meio para observar pormenores. E umas vezes ficamos deslumbrados, outras, perturbados com o que a vista alcança. Aqui perto, na Ajuda, há uma grande rotunda com a estátua que podem observar e que me deixa um pouco pensativo acerca do seu verdadeiro significado. Dizem que é um dos monumentos da Madeira de louvor ao trabalhador, uma "Homenagem da Associação da Classe dos Mestres a todos os colaboradores responsáveis pelo desenvolvimento do setor da construção civil e das obras públicas na ilha da Madeira. Erguido no ano 2004 e executado pelo escultor Ricardo Velosa". Situa-se na Praça da ASSICOM.
Será a estátua de um anjo? Visto por detrás, até me convenceu, pois não se vê a cabeça... E os anjos não precisarão de cabeça! Basta-lhes as asas para se deslocarem pelos etéreos espaços... Mas, vista de frente, a estátua aparenta um anjo sofredor, de cabeça tombada, pendurado pelos ombros, mais como crucificado do que como colaborador heróico para o desenvolvimento da construção civil desta Madeira sempre a evoluir. Coisas da arte, onde nem tudo se vê com clareza.

Hoje, descemos pela primeira vez ao centro do Funchal. Comprámos os "giros" e lá fomos nos "Horários", uma viagem de uns 15 minutos. Depois, com uma boa guia e amiga, que desde pequena calcorreia estas ruas íngremes, subimos até à Calçada do Pico para visitarmos o "Universo das Memórias", mais conhecida talvez por museu das gravatas e dos cavalos. É um edifício do séc. XIX, de traça arquitectónica digna, que a Câmara comprou para aí depositar para os curiosos (e são muitos!) todo o espólio que o Dr. João Carlos Abreu, 1.º Secretário da Cultura da Região, foi comprando ao longo das suas muitas viagens. Lá vimos uma salinha com as suas muitas gravatas e outra com centenas ou milhares de cavalos e cavalinhos, mas a variedade e riqueza das peças expostas vale bem uma visita. Muitas peças orientais, jóias, pratas, patos, máscaras... Até um fato bem conhecido da Amália Rodrigues ali está exposto.

Para me chegar ao António Colaço, até consegui tirar à socapa a foto de uma ventoinha de gravatas (não me digam que foi aqui que ele se inspirou!...), igual à exposta no Almada Fórum e que eu não posso visitar.
Este senhor, Dr. João Carlos Abreu, de profissão jornalista de muitos jornais, até trabalhou no Vaticano e parece que a sua amizade por João Paulo II é que conseguiu que ele se deslocasse a esta ilha quando veio a Portugal. Lá está a foto do momento!

Mas deixemos este recanto de mil memórias e desçamos outra vez ao centro, caminhando já cansados pelos empedrados escuros, mas lindos, destas ruas de basalto, admirando ainda as flores, as árvores do lugar, que nos cativam com tanta beleza. São as chamadas "fogo da floresta", de uma riqueza de cor brilhante.

António Henriques



domingo, 12 de fevereiro de 2017

"SILÊNCIO" - o filme

Dá que pensar...

Hoje conseguimos ter a oportunidade de ir ver o filme de Scorcese, que nestes últimos tempos tem levantado opiniões contraditórias. Sinceramente, gostei. Uma das razões porque gostei foi ter passado todo aquele tempo (161 minutos!) bem desperto, sem passar pelas brasas.
O tema do filme atira-nos para o Japão do séc. XVII, quando a defesa dos valores tradicionais do Japão pelo shogunato leva à perseguição de tudo o que seja estrangeiro. E o cristianismo é o alvo principal e o símbolo maior de culturas estranhas, que desde S. Francisco Xavier se desenvolveu na sociedade japonesa e era preciso erradicar. No centro do vulcão, estão os jesuítas, quer pela sua força quer agora pela sua atitude perante os perseguidores. O édito de 1614 a proibir a fé cristã e a expulsar os missionários não foi suficiente e as comunidades cristãs continuavam na clandestinidade.
Mas chega à Europa a notícia de um célebre Padre Ferreira, ilustre missionário e formador de missionários, ter apostatado da sua fé perante os sofrimentos a que foi submetido, passando a viver segundo os valores japoneses e o budismo. Logo outros heróis se lançam à fogueira: mesmo perante a ameaça de morte certa, dois padres (Rodrigues e Garupe) conseguem entrar no Japão para em segredo contactar e animar as comunidades cristãs e descobrir o tal apóstata, até para o demover.
Todo o ambiente do filme se caracteriza por uma extrema violência contra os cristãos e especialmente os padres. Queimá-los com água a ferver de nascentes termais, pregá-los na cruz no meio de marés vivas até morrerem, decapitá-los, pendurá-los de cabeça para baixo com a cabeça na fossa, tudo contribui para dissuadir as pessoas a abandonar a sua fé, e, no caso dos padres, a grande preocupação era levá-los a apostatar para assim eles darem o exemplo aos outros cristãos.

E chega de história.
O mais importante para mim foi a encarniçada luta das autoridades japonesas contra a mentalidade cristã desta gente. Aquelas pobres almas, de fé simples, que diziam que pagavam todos os impostos, viviam aterrados com a chegada dos chefes. Mas não largavam a sua fé, pois Cristo prometera-lhes o paraíso, coisa que na terra lhes estava vedado. Há uma veneração exagerada pelo padre e muito mais por todos os símbolos cristãos, a ponto de o padre se ver obrigado a desfazer-se do seu rosário e distribuir as contas pelos aldeãos.

No meio dos fiéis, também surge um Judas, de nome Kichijiro, que tanto serve para esconder os padres e levá-los em segurança a outras povoações, como os entrega por boas quantidades de prata; capaz de apostatar pisando a imagem sagrada para não sofrer, vem depois, por várias ocasiões, a pedir a confissão num retorno à condição inicial de cristão como gente digna! É a figura mais triste, um invertebrado, que quase tira ao filme o ar de seriedade.

A personagem principal do filme, o Padre Rodrigues, levado por princípios rígidos de educação cristã, não cede em nada e ali está ele a servir em boa consciência a Igreja Católica. Ele e os simples cristãos encontram-se ameaçados por um poder político dominador, que condenava mesmo à morte. Caso o último padre resistente abjurasse a sua religião, os cristãos não teriam mais o suporte da sua fé. Daí toda a tramóia em volta do Padre Rodrigues, que se vê confrontado com a morte de cristãos, postos a sofrer horríveis castigos à sua frente. 
A tragédia é esta: se apostatares, os cristãos não sofrerão mais. Agora, escolhe: queres manter a tua fé e ver teus irmãos sofrer e morrer ou, por amor aos outros, renuncias à tua mentalidade cristã? Basta colocar o pé em cima da imagem de Cristo...
Até o célebre Padre Ferreira, apóstata, é trazido para convencer o seu antigo aluno: “Por amor deles, até o próprio Cristo teria apostatado”. Mas nem este consegue grandes avanços. O Padre Rodrigues defende «a verdade» de Deus e não dobra. Mas colocado perante situações extremamente desumanas, lá aceita, sem coragem e sem alegria, renunciar ao seu passado e iniciar uma vida diferente, ao lado de uma mulher com um filho, que ele recebeu de outro condenado.

Ter-se-á convertido? Aqui está o maior mistério do filme. Tudo se encaminhava para o extermínio da fé, que nas terras japonesas não fazia sentido, «eram um pântano onde não cresciam ideias novas», como se diz no filme. Mas este, mais que falar de derrota, apela para a vitória da fé, mesmo que esta seja apenas secreta e íntima. A própria mulher que o acompanha deposita às escondidas, junto do cadáver do padre, o pequeno crucifixo que um dia um camponês lhe oferece.

Interrogações:

1 – Quem consegue torcer o nosso íntimo, por maiores castigos que nos inflijam? Podemos tornar-nos “cristãos-novos” ou “budistas confessos” sem uma adesão íntima e sincera? Saí do filme a relevar esta omnipotência da consciência humana, que não dobra. Vamo-nos mudando pela força da razão, pela lógica dos conhecimentos e ainda pelo testemunho dos outros, o que explica as verdadeiras conversões.
2 – Quando é que a nossa fé é pura, consciente, bem esclarecida? É uma interrogação forte do filme, em que se diz, às vezes, que a fé cristã e a budista são iguais, numa alusão à inculturação que os jesuítas praticaram (Deus seria o sol, ou a natureza..., alega o apóstata padre Ferreira). A verdade é que as pessoas deixam-se matar por serem cristãs, como hoje outros matam à espera das 70 virgens que os receberão no paraíso...
3 – Li que a noção de Deus no filme está mal situada, como se Ele fosse um estranho a isto; pois eu achei que um Deus paciente, compassivo e tolerante está bem presente no gesto continuado do padre a absolver o pecador-judas.
4 - Agora, outra questão é o silêncio de Deus, que nada diz em nenhuma circunstância, parecendo deixar-nos ao abandono neste mundo de tantas interrogações. E quem não sentiu já este silêncio de Deus? O diálogo connosco próprios, o testemunho dos irmãos e da história é que nos vão animando. Estarei eu certo? Caminhar na fé é sempre andar com algum nevoeiro, como era aquele ambiente soturno, escuro, em grande parte das cenas do filme.
Fico-me por aqui para não pesar muito.


António Henriques




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A VERDADE


Há verdades alternativas?
Que melhor aconchego para os ninhos das gaivotas?

Tenho andado há uns tempos intrigado com o que ouço e leio acerca dos sistemas de comunicação entre pessoas e países, que parece que, em vez de nos transmitirem o que aconteceu de verdade, nos impingem modos de ver “alternativos” a que chamam também “a verdade” e nos deixam sem saber em quem e em quê acreditar.

Eu sei que as emoções influenciam o nosso pensamento, segundo António Damásio, e que os nossos modos de pensar não são tão assépticos como gostaríamos que fossem. É mais fácil acreditar naquilo de que gostamos do que no inverso. Mas, mesmo assim, ainda pensava que as ideias podiam circular sem estarem viciadas por interesses ou conveniências.

Fala-se assim na era da pós-verdade, um chavão que contém muita perversidade. Há muitos anos já, habituei-me a verificar que até a matemática não é exacta em política, isto é, os números são interpretados de modos tão contraditórios que não dá para imaginar até onde pode ir a imaginação humana. O mesmo acontece noutros campos sociais, por ex. no desporto, em que os programas dos comentadores desportivos mostram bem como as imagens são interpretadas de acordo com os gostos clubistas, o que já me fez arrefecer bastante aquela sensação de pertença a um clube, dadas as muitas falcatruas que andam misturadas com o verdadeiro desporto.

Eu não queria afastar-me muito do essencial, para mim muito confuso e doloroso, que é dizer, como há dias escrevia um amigo meu: “nos tempos da pós – verdade, podemos afirmar, cada vez com mais certeza, que a verdade se transmuta consoante o interesse do emissor”. E assim, volta outra vez a pergunta de Pilatos a Jesus Cristo: «o que é a verdade?»

Das minhas leituras fez parte há uns meses o bem conhecido filósofo Edgar Morin e o seu livro: “As grandes questões do nosso tempo” (Edit. Notícias). Também ele nos repete: «Os nossos sistemas mentais filtram a informação: ignoramos, censuramos, repudiamos e desintegramos o que não queremos saber… Quase poderia formular esta lei psicossocial: uma convicção bem firme destrói a informação que a desmente». Ele chega a afirmar que a ideologia “é um sistema de ideias feito para controlar, acolher e recusar a informação. Se a ideologia é teoria, está em princípio aberta à informação não conforme, que a pode pôr em causa. Se é doutrina, está em princípio fechada a qualquer informação não conforme. A ideologia política é muito mais doutrina que teoria»(pág. 30).

Vigilância em companhia, a melhor solução.
Para mantermos a nossa imensa liberdade de espírito, temos de nos precaver seriamente contra estas correntes fortes de informação que nos empurram cegamente para modos de pensar balofos, com o título de modernos e arejados. Só conheço um modo de resistir a erros graves: é aceder a informações diversas, ler sobre os dois lados da questão. Isto pode ajudar a chegar à verdade, manter a independência e recusar seriamente a pós-verdade, um estado de espírito para mim desumano, inconveniente e castrador.

António Henriques 

Livre para voar, seguro para aterrar, forte para lutar. 

domingo, 29 de janeiro de 2017

DIAS EM CHEIO

Explicação para esta ausência

Desta vez, tive mesmo de parar a minha edição deste blogue. Foram 15 dias de assinalável silêncio, o que me acontece pela primeira vez.
Actividades extra relacionadas com o 10.º aniversário da Unisseixal ocuparam-me o tempo até ao exagero. Empenhei-me no enriquecimento do site da nossa Universidade Sénior, umas vezes por vontade própria e outras vezes a pedido. Ultimei e editei no site a história dos começos da Unisseixal, consultei os meus arquivos à procura de fotos daquele tempo (e reconheço que o mundo muito se transformou no que às imagens diz respeito. Em dez anos, o uso de fotos tornou-se muito mais iterativo!), traduzi para português uma páginas de resposta a um questionário sobre universidades seniores, que uma universidade da Eslováquia nos tinha pedido.
Além disso, colaborei também na edição de slideshows que tornaram o site mais agradável. Ainda escrevi o relato da sessão solene no Fórum Municipal no dia 14/01 e mais umas pequenas achegas.
Depois, durante uma semana em que diariamente havia actividades especiais, acompanhei muitas dessas actividades com agrado, nomeadamente a sessão de duas horas do Prof. Carlos Ribeiro e ainda uma visita às instalações do Sporting (estádio, museu, balneários...). Como me pediram um pequeno texto sobre essa visita, também o escrevi para o Boletim da Casa do Educador. Aí revelo todo o meu sportinguismo, sem fanatismos, com isenção de vistas. O Prof. Tomás Bento que me perdoe, mas eu arrasto esse texto para aqui. Vejam como é equilibrada a minha visão!
«
Visitámos o Sporting


Integrada nas festas dos 10 anos da Unisseixal, programou-se uma visita às instalações do Sporting, estádio e museu.

Muitos sportinguistas foram com gosto apreciar as luxuosas salas do conjunto verde e os apaniguados do outro clube da 2.ª Circular aproveitaram para somar razões à sua clubite, que nestas coisas, ao contrário do que canta o Marco Paulo, nunca se têm dois amores. Bem, também houve gente que apenas foi acompanhar os ou as suas consortes, o que é sempre de louvar.

Estivemos no campo de futebol, com a relva a precisar de ser iluminada para crescer bem, visitámos os balneários, quer dizer, estivemos à entrada(!), passámos pela célebre Porta 10-A, por onde entram os Vips, conhecemos a história do clube a começar pelos seus primeiros entusiastas, com José de Alvalade à frente e, finalmente, visitámos o rico Museu do clube, recheado de taças e peças desportivas de que se faz a história do Sporting. Muitas fotos nas paredes lembram também os nomes gloriosos de muitos atletas das mais diversas modalidades que deram fama ao Sporting.

Uma tarde bem passada, estragada pela derrota em Chaves nessa mesma noite. Mas eu continuo a sofrer um pouquinho pelo Sporting!!!
Ant. Henriques»

E os trabalhos não acabaram aqui. 
Também procurámos lar para uma familiar a precisar de mais aconchego e gastámos muito tempo
A falar de Informática, blogues, etc...
com ela.
Também preparei com outros amigos o Encontro anual dos antigos alunos dos seminários que ocorreu em Linda-a-Pastora no dia 28/01. Dias bem cheios, sem dúvida, carregados de emoções, a fortalecer as minhas razões de viver. 
Alguém mais chegado ainda me disse um dia destes que "tu já não és novo. Não podes trabalhar tanto, tens de descansar..."! Como posso eu descansar, se é isto que me anima, me entusiasma e me dá vida?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

AFOGADOS EM GENTE

Porque não voltar atrás?

Neste dias, tem-me chegado uma onda de nostalgia que não é habitual. E eu bem sei a razão.
Está a aproximar-se (15/01) a celebração dos dez anos da Unisseixal - a Universidade Sénior do Seixal, em cuja criação estive enfronhado até aos cabelos. Começou como criança, mas depressa se tornou grande.
A Unisseixal, neste ano lectivo de 2016/17, serve os desejos de 719 seniores que nela se inscreveram nas várias vertentes de formação que oferece. Cada um destes estudantes encontrou ali razões para sair de casa, dar o seu nome como aluno em três ou quatro disciplinas, pagar 90 €, que é esta a anuidade que lhe pedem. E depois é só desfrutar, o que, creio eu, corresponde a distrair-se, ter razões para sair de casa a horas determinadas, encontrar pessoas com os mesmo objectivos, ouvir o seu nome no grupo, aprender umas coisas novas ou já esquecidas, utilizar a mente, a voz, as mãos em algum instrumento, o corpo todo em movimentos de dança ou de ginástica, eu sei lá mais o quê... E eu sou um deles!

Há dez anos não havia nada disto! Já havia associações culturais, desportivas, populares, que iam fazendo ofertas formativas ou de ocupação dos tempos livres aos seus associados. Até a Casa do Educador do Seixal já vinha marcando presença significativa na vida de um grupo grande de educadores, que foi para eles que ela nasceu em 2002. Mas eram iniciativas menores, que atingiam apenas alguns apaniguados, sem a continuidade semanal que agora se apresenta.
Muitas vezes perguntei a mim próprio onde estariam tantas pessoas que caíram em avalanche sobre a Casa do Educador quando nos lembrámos de lançar este projecto. Parece que toda a gente precisava do mesmo, ansiava por algo de novo que desse razões ao seu viver. Estar reformado, pelos vistos, também tinha as suas inconveniências! Algumas vezes disse e escrevi que nos sentíamos «afogados em gente».
Em 15 Janeiro de 2007, abriram-se as portas a um número já considerável de pessoas (239), que começaram a vir às aulas nas mais que precárias condições, mas isso parece que não importava. A Casa do Educador era uma pequena associação, sem sede digna, apenas com uma sala e uma cozinha que anteriormente pertenciam a uma cantina escolar e à Delegação Escolar. Quando esta foi extinta, em Dezembro de 2004, os espaços foram entregues pela Câmara Municipal à Escola EB1 de Amora (a sala maior) e o resto à Casa do Educador.
E foi aí, naquela cozinha, que se preparou este novel projecto. Apenas uma sala serviria para as aulas. Mas, com engenho e sobretudo com tenacidade, lá foi o António Henriques correndo de escola em escola à procura de salas disponíveis que nos quisessem emprestar. E conseguimos... Andámos a pôr ovos em ninhos alheios, mas quisemos suportar essas agruras para alegrar muita gente.
Era preciso descobrir professores que voluntariamente quisessem juntar-se ao projecto e dar aulas a estes alunos especiais? Pois, também se conseguiu...
Volvidos dez anos, muita gente reconhece que foi extraordinária esta caminhada. E sempre o mesmo espírito, a mostrar sem mácula como o voluntariado pode fazer milagres, porque o espírito humano é de uma generosidade enorme. 
Voltarei ao tema brevemente. 
Mas termino com mais uma revelação: tudo isto de que falo, Casa do Educador e Unisseixal, são trabalho em que estive empenhado já como aposentado. Alegra-me olhar para trás e ver o que um grupo de pessoas fez. E ainda mais outra alegria: a Antonieta esteve sempre comigo, como igual, e algumas vezes o reconheci em público. Assim, foi mais fácil...

Assinatura de protocolo com a Câmara para entrega das instalações do Seixal à Unisseixal

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

NOTÍCIA COM 10 ANOS

Como o tempo passa! Afinal, 10 anos é muito tempo... Este texto foi escrito por mim no tempo em que mal havia sede da Casa do Educador, não havia salas, não havia universidade sénior... Só havia sonho... Hoje, tudo mudou e para muito melhor!
Atenção, Seniores!
Já temos a nossa Universidade!
Desde 15 de Janeiro, estão a funcionar no nosso concelho as aulas da UNISSEIXAL- Universidade Sénior do Seixal, com 32 disciplinas, umas mais teóricas, outras mais práticas, a que se juntaram no mês de Abril mais outras actividades: Grupos musicais (Tuna e Cavaquinhos), Teatro e ainda um Grupo de Dançoterapia.
Os seniores do nosso concelho mereciam este projecto e por isso aderiram em força. São 238 os felizardos que se matricularam nas mais diversas actividades.
A Casa do Educador do Concelho do Seixal, uma associação formada por gente ligada à educação e ensino, preparou as bases do projecto durante o ano de 2006, contactando pessoas e instituições que pudessem ajudar a pôr de pé este projecto. E em boa hora!
São já quase 40 os professores que aderiram e oferecem gratuitamente o seu saber e o seu tempo a estes novos alunos.
 Para quem é a Universidade Sénior? Esta Universidade é para quem não desistiu de viver e aprender, apesar da idade. Pretende combater a solidão e a exclusão social, dinamizando as relações sociais, dando oportunidade a que as pessoas aprendam na idade adulta o que não conseguiram antes. “Em vez de ficar em casa sem fazer nada de especial, aproveito para aprender aquelas coisas que sempre quis e que nunca tive oportunidade”, dizia um aluno sénior a um jornal. É igualmente objectivo desta Universidade que os seniores se sintam activos e felizes, independentemente das limitações da idade.
Os testemunhos que temos ouvido dão-nos conta duma satisfação geral, de um agrado espontâneo por esta iniciativa. Pessoas houve que voltaram a gostar de viver! E isto é o máximo!

Perfil dos alunos da UNISSEIXAL: é já possível apresentar o perfil dos alunos matriculados. Num universo de 228 (número com que se começou este trabalho estatístico), são maioritários os alunos entre 60 e 69 anos, o número de mulheres corresponde a mais do dobro dos homens e, quanto a habilitações literárias, a maioria possui uma base cultural significativa, o que corresponde à ideia de que “cultura atrai cultura”: só uma pequena franja possui a antiga 4.ª classe e mais de metade dos alunos (52%) tem o ensino secundário ou estudos universitários.
António Henriques